Se
você se preocupa com o meio ambiente, mas curte o mundo da tecnologia,
não se desespere. É possível unir os dois interesses. Apesar de
existirem muitos eletrônicos que batem de frente com as regras de
sustentabilidade, o mercado tem apresentado diversas opções de produtos
que são certificados com selos verdes ou já possuem ferramentas
ecológicas.
Uma das maneiras mais fáceis de garantir que seu eletrônico tenha pouco
impacto ambiental é checar se o produto em questão tem selos verdes e
certificações ambientais. De um modo geral, uma certificação confiável
em termos ambientais e sociais é aquela que inclui a avaliação de
substâncias químicas perigosas à saúde humana e ambiental, considerando
todo o ciclo de vida de produção desse equipamento. O uso da energia
para sua produção também deve ser analisado. Alguns setores industriais
são notoriamente eletrointensivos e se valem de fontes energéticas
insustentáveis em seus processos.
Os selos
O
Selo Procel,
instituído em 1993 e coordenado pelo Ministério de Minas e Energia,
tem como objetivo orientar o consumidor no ato da compra. Ele indica os
produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética
dentro de cada categoria. Dentro dessa classificação, os produtos "A"
são os mais eficientes. No entanto, segundo Ricardo Baitelo, da Campanha
de Energia do Greenpeace, ao longo do tempo, o percentual de
equipamentos eficientes aumenta e a diferenciação de desempenho entre um
e outro merece uma revisão. Desta forma, o especialista sugere obter o
consumo mensal em kWh antes de comprar, mesmo que o equipamento receba a
classificação máxima.
Há ainda o
TCO Certified,
um selo internacional que certifica notebooks, desktops, tablets, fones
de ouvido, projetores e displays com impacto ambiental mínimo. O
critério da certificação abrange diversas características, incluindo o
uso mínimo de materiais perigosos, eficiência energética, ergonomia
visual e de carga de trabalho, design para reciclagem e responsabilidade
social corporativa na fase de produção. Os produtos que exibem a
etiqueta cumprem todos os requisitos e são rigorosamente testados e
verificados por um laboratório certificado de terceiros. A Lenovo ganhou
a certificação no desktop all-in-one
ThinkCentre M90z e a Dell foi contemplada com o modelo
OptiPlex 980. Já a Samsung possui o selo no notebook N120 e no
tablet SLATE PC Series 7.
A ONG Green Eletronics Council também criou um padrão de qualidade para
certificar produtos que apresentem menor impacto sobre o meio ambiente
na sua produção, chamado de
"Electronic Product Environmental Assessment Tool" ou
Epeat ("ferramenta de avaliação ambiental de produtos", em português).
Uma de suas propostas é avaliar desktops, notebooks e monitores de
acordo com 51 critérios ecológicos, como limites para a quantidade de
cádmio e embalagem em materiais recicláveis. Assim, os produtos recebem
uma "medalha" de bronze, prata ou ouro de acordo com essas orientações. A
condecoração de ouro significa atender pelo menos 41 itens avaliados,
por conta disso, a maioria dos produtos avaliados ficaram apenas com a
medalha de prata ou bronze. No
site da empresa é possível conferir quais os produtos que possuem os selos, divididos por países e categorias.
Caso os produtos preferidos não possuam selos, o ideal é verificar
informações sobre o consumo energético desse aparelho, procurar se
informar sobre impactos ambientais e até mesmo sociais que sua
fabricação provoca. Também é preciso contatar a fabricante para saber se
ela usa componentes tóxicos em seus produtos, se recicla
seus equipamentos ao final de sua vida útil e como é feita esta
reciclagem. O descarte dos produtos é muito importante, portanto, é
necessário saber se a empresa aceita de volta seu equipamento para
reciclagem ou se ela possui algum programa de descarte de lixo
eletrônico.
Uma rápida pesquisa no Google pode te dizer se a companhia está envolvida ou já se envolveu em problemas ambientais. O
guia de eletrônicos do Greenpeace,
por exemplo, analisa quais fabricantes melhoraram seu desempenho de um
ano para o outro e quais foram os motivos. Ricardo também aconselha
fugir de equipamentos que tenham viajado longas distâncias desde sua
fabricação até a loja onde estão sendo vendidos. "É importante lembrar
que o transporte por avião ou navio emite mais gases de efeito estufa do
que caminhões ou trens", diz.
Algumas empresas disponibilizam balanços ambientais em seus sites ou os
publicam periodicamente. De acordo com a variedade de medidas adotadas e
a proporção destes gastos em relação a suas atividades produtivas, é
possível ter uma pista sobre os princípios e prioridades desta empresa.
Além disso, é necessário saber como ajustar o equipamento para fazer um
uso eficiente da eletricidade. É possível efetuar pequenas configurações
na máquina como regular brilho da tela e o tempo que o micro entra em
modo de espera ou hibernação. Muitas vezes os próprios manuais e
folhetos promocionais fornecem este tipo de informação. No entanto, é
indispensável uma conversa com o vendedor e até com a própria fabricante
para esclarecer essas dúvidas. O Olhar Digital já deu
dicas de como diminuir o consumo de energia do notebook e PC, e listou alguns
softwares gratuitos que promovem a diminuição do consumo de energia do seu computador, seja ele PC ou Mac.
Os fabricantes mais verdes No fim de 2011, a HP desbancou a Nokia e se tornou a empresa de tecnologia mais verde do mundo em um ranking divulgado pelo
Greenpeace. A
empresa subiu duas posições e ultrapassou também a Dell, que agora
aparece na segunda posição do ranking. A Nokia caiu para terceiro.
O ranking dá uma nota de 0 a 10 para as empresas de acordo com os
esforços sustentáveis feitos por elas. O Greenpeace considera uso de
energia, de minerais e produtos sustentáveis. A HP ficou com a liderança
com 5,9 pontos, seguido da Dell (5,1) e Nokia (4,9). Apple (4,6) e
Philips (4,5) ficaram também entre as cinco primeiras.
Ironicamente, a Samsung, que nem aparece nos TOP 5 das companhias
ecologicamente corretas, tem dois produtos classificados em
certificações sustentáveis e possui um
netbook
com placas de captação de energia solar, que pode gerar até uma hora de
bateria a cada duas horas de exposição ao sol. Se levarmos em
consideração o que o especialista do Greenpeace comentou, apesar dos
produtos serem "verdes", a companhia ainda precisa de mudanças drásticas
na produção para se tornar referência em sustentabilidade.
Produtos alternativos e sustentáveis
No ano passado, o empresário brasileiro André Ruschel criou o protótipo do ThinEco,
um computador revestido de papelão usado que utiliza processador Atom
N270 e possui 2 GB de memória RAM, além de HD SSD da Intel. Dentro do
gabinete todos os componentes têm o selo "Green" e o produto foi
desenhado para consumir menos energia. Por ser feito basicamente de
papelão, a máquina tem um custo baixo e, por isso, deve se tornar um
produto comercializável em breve. Em uma entrevista realizada com o
criador, em janeiro de 2011, o empresário afirmou que o desktop deveria
ser vendido no varejo por cerca de R$ 750, dependendo da configuração.
Na mesma linha o Ecopad,
que ainda não passa de um conceito, deverá ser o primeiro tablet
sustentável do mercado. Ele dispensa qualquer tipo de carregador
externo, usando nanofilmes com piezoeletricidade, que gera correntes
elétricas a partir de uma pressão mecânica, recolhendo e armazenando a
energia de cada toque do usuário na tela do tablet.
Há ainda carregadores como o Power Treckk, que utiliza água como fonte de energia e a pilha que pode ser recarregada com diversos líquidos como água, whisky e urina. Também existe uma capa protetora para Kindle que capta energia solar e um pen drive, que coloca o PC em stand by sem desligá-lo, apenas para consumir menos energia.